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FICHA DE INVENTÁRIO
Museu:
Museu Nacional de Arqueologia
N.º de Inventário:
17950
Supercategoria:
Arqueologia
Categoria:
Arquitectura (materiais de construção e revestimento)
Denominação:
Mosaico de Ulisses
Datação:
268 d.C. - 330 d.C. - Época Romana
Matéria:
Tesselas de mármore e de pasta vítrea polícroma
Técnica:
Opus tesselatum e opus vermiculatum
Dimensões (cm):
comprimento: *;
Descrição:
Mosaico rectangular, composto por duas secções: uma ao centro, quadrada, a outra formada por faixas rectangulares, de diferentes tamanhos, ao redor da parte central. A parte central separa-se das faixas que a rodeiam, por uma moldura de entrançado a preto, branco e amarelo, sobre fundo negro. Inscreve figuras repartidas por quatro medalhões circulares, em volta do centro do quadrado, e oito quadros semi-circulares assentes sobre a moldura envolvente, dois por cada lado. Cada semicírculo encerra um busto de perfil ou de frente. Quatro destes, em dois lados opostos, representam as estações do ano. Os restantes, com a mesma disposição, representam os quatro ventos principais, de bochechas cheias soprando vento, cujos nomes é possível ler na parte exterior dos semicírculos: BOREAS, NOTUS, EURUS e ZEFIRUS. Os medalhões circulares apresentam cenas marítimas: num aparece uma figura feminina de frente, sentada sobre um touro-marinho de cauda terminada em barbatana tripartida, a água é representada por meio de linhas descontínuas e pela presença de um peixe, trata-se de uma alusão ao tema do rapto da Europa; no lado oposto é possível ver a parte superior de uma personagem masculina alada (Cupido) com arco em posição de disparar, numa alusão à cena em que Júpiter tocado por uma seta do Cupido, toma a forma de touro e rapta a Europa, fugindo para o mar, em direcção a Creta. Os restantes medalhões encontram-se bastantes deteriorados, crê-se que retratariam outras fases do rapto de Europa, nomeadamente o desfecho da acção perpetuada por Júpiter. A completar decorativamente o assunto mitológico da cena marinha, pelos intervalos entre os medalhões e os outros quadros, encontram-se peixes. Aos quatro cantos da parte central encontram-se pequenas flores estilizadas, no centro um óculo circular branco com a parte central preta. As faixas que rodeam o quadro central variam nos temas distribuindo-se em quatro temas: mitológico e homérico, poético, atlético e mágico. A primeira faixa a descrever parece representar nos dois quadros o cortejo (thiasus) triunfal de Anfitrite, mulher de Neptuno. O cortejo é composto por um cavalo marinho e dois centauros que levam nas suas caudas Nereidas. A disposição das personagens é praticamente simétrica, situando-se as Nereidas ao centro, apesar de os dois centauros se dirigirem cada um para o seu lado. A parte inferior do quadro é decorada com peixes. Os quadros estão encaixadas em moldura própria, de losangos pretos, vermelhos e brancos. A parte inferior do mosaico completa-se com uma faixa de moinhos de peltas. A parte esquerda do mosaico está dividida em duas cenas. Na primeira um touro leva sobre si uma jovem, representada com o corpo cor -de-rosa, contornado de tesselas vermelhas, as vestes brancas voam ao vento,com as pregas vincadas por pedras azuis, amarelas, alaranjadas, alternadamente, e a orla debruada de vermelho, verde e azul. O touro é de contorno preto, com o corpo branco. A jovem abraça a cabeça do touro. A segunda cena representa a conhecida passagem do canto XII da Odisseia, em que Ulisses viajando, numa embarcação com os seus companheiros passa perto da ilha das Sereias. O grupo da embarcação está centrado pela figura de Ulisses de pé, com as pernas ligeiramente separadas e inclinadas para a direita. Leva os braços atrás, para indicar que está atado ao mastro da embarcação. Segundo Homero, Ulisses é advertido para se atar ao mastro do seu navio de modo a escapar ao mortífero canto das Sereias e ordenar aos seus homens para que se dediquem a remar com todas as suas forças como forma de evitar, quanto antes, o local onde aquelas criaturas exerciam as suas artes mágicas. Aquelas são representadas com corpo de ave e cabeça de mulher. Acabam as cenas marítimas e começam os combates. Assim, a faixa seguinte apresenta uma série de quadros parcelares, cada um deles formado por duas personagens. O primeiro tem na esquerda um homem de pé, com o braço erguido e mão aberta em atitude de combate, enquanto da direita se vê o busto de um segundo homem, que volta as costas ao primeiro. A seguir, o segundo quadro representa à esquerda um homem de joelhos, de frente, em postura humilde; à direita outro homem de pé, também de frente, com uma palma azul e alaranjada na mão esquerda, e uma coroa de folhagem, feita de tesselas vermelhas, amarelas e azuis na mão direita. Representa a coroação do atleta vencedor no ditirambo em jogos dionisíacos. À esquerda da cabeça do laureado, lê-se uma inscrição com invocação a Diónisos. Na mesma faixa sucedem-se mais dois quadros de jogos pugilísticos, apresentando dois atletas, de pé, um frente do outro, num combate de pugiles. O quadro imediato ao canto tem a curiosidade de estar invertido em relação às figuras dos quadros laterais. As molduras, que cercam esta faixa, são variadas e duplas. Exteriormente, a cercadura geral tem por decoração uma série de suásticas, paralela a esta uma cercadura de losangos e quadrados. Cada um dos quadros é por sua vez emoldurado por cercadura de entrançados. Na faixa seguinte, aparecem três personagens (atletas), dois correndo um após o outro da direita para a esquerda, e em sentido inverso corre o terceiro. Retratam cursus dupla, isto é, corrida de ida e volta, no gymnasium ou na palaestra. As figuras são menores e a técnica mais simples. Acabam os jogos atléticos, em que figuram atletas leves e pesados, estes eram os que tomavam parte na luta, no pugilato. Por fim desdobra-se uma cena de magia, através de uma fórmula de devotio caracterizada: figura de pessoa amaldiçoada, indicação do castigo a impor-lhe, e a imprecatio às divindades infernais (fórmula escrita). Um homem nu, de tronco e pernas, com um curto avental de tanga, voltado para a direita, açoita com uma virga (vara ou ramo) uma mulher inteiramente nua, a furtar-se diante dele, em atitude púdica e de defesa.
Incorporação:
Achado - Escavações arqueológicas sob orientação de Luís Chaves.
Proveniência:
Santa Vitória do Ameixial
Origem / Historial:
A descoberta da villa romana de Santa Vitória do Ameixial ocorreu na sequência de trabalhos de exploração de uma pedreira na aldeia de Santa Vitória. O proprietário dos terrenos comunicou o facto a José Leite de Vasconcelos, que já suspeitaria da existência de importantes vestígios arqueológicos no local, tendo enviado o conservador do museu Luis Chaves, para proceder a escavações, o que ocorreu 1915 e 1916. A publicação dos resultados só viria a ocorrer bastante mais tarde, no vol. 30 da 1ª série de “OAP”, de 1938. “Villa dos Mosaicos lhe chamei em 1916 num artigo de O Seculo da Noite, de 26 de Março (…). A princípio das escavações de Santa-Vitória, supus-me sôbre as ruínas dum vicus de colonos (…). À medida que as escavações se alargavam, convenci-me de que estava ali, não o que restava de um aldeamento, mas de uma autêntica villa de grande proprietário, senhor das terras, que a circundavam, e formariam ubérrimo latifúndio nas mãos de bom lavrador (…). Luis Chaves escava parte da villa, que se encontrava já muito destruída, pelo saque a que vinha sendo sujeita pela população local, para a recuperação e reaproveitamento dos materiais de construção, nomeadamente a pedra, pondo a descoberto o peristilo da residência senhorial e as termas, ambas com notáveis pavimentos de mosaico. Para além dos mosaicos, o espólio integra ainda importantes vestígios de escultura de vulto e escultura arquitectónica, materiais de construção, moedas, cerâmicas, utensílios e adornos variados.
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